Nas eleições de 2011, depois daquelas manifestações gigantescas, escrevi um artigo de opinião (O Poder está na rua - uma reflexão sobre as próximas eleições), que penso que fui o único a ler. Nesse artigo, referia a absoluta e assustadora semelhança entre Sócrates e Passos Coelho (duas faces de dois partidos com Social no nome, que de social nada têm), do seu centrismo cobarde e da possibilidade (real) de o Estado Social ser destruído sem dó nem piedade. Apelei aos portugueses que comigo estiveram nessa manifestação a votarem diferente, a votarem com coragem, a votarem noutros. A expulsarem do poleiro aqueles que nos enfiaram numa cova tão profunda que tivemos de recorrer a ajuda externa para encontrar a saída, e até sairmos, nos vamos enterrando ainda mais. Somos hoje um país sem soberania. Somos um país sem orgulho. Somos um país que depende de outros países, que depende de uma senhora numa Berlim com tiques imperialistas e hitlerianos.
Já não somos uma democracia. Quando a Constituição começa a ser atacada, quando o Tribunal Constitucional é o bicho papão do governo, quando a Educação é assaltada por todos os lados e os professores não têm condições para preparar o futuro, quando o funcionalismo público é maltratado e usado como escudo do governo, quando existem birras nos mais altos cargos da Nação - o que nos resta? Comer e calar? Infelizmente, parece que sim.
Li hoje este artigo do Correio da Manhã, que diz que Passos Coelho sobe e Seguro desce. Não é isso que mais me assusta. O que mais me assusta é a cobardia dos portugueses. É o voltarem a votar no centro. É o não terem coragem de mudar. Passos Coelho e Seguro são de novo faces da mesma moeda... E digam-me uma coisa: querem mesmo continuar assim?
Postas de Pescada Fresquinhas, de um Gajo meio parvo ou a vida de um Idiota Romântico
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013
O Último Justo: O Balanço
Como prometido, aqui fica o balanço do livro O Último Justo. E como eu tenho um grave problema (ou amo ou odeio o livro), e não me interessa absolutamente nada se o autor é conceituado e se o livro é considerado uma obra-prima por outras pessoas (este blog é meu, e a opinião também é minha), o meu veredicto final só pode ser um: horrível.
O problema com autores com a mania que são eruditos é a demasiada (e falsa) erudição dos seus livros. Frases demasiado longas, palavras demasiado complicadas (para quê usar um arcaísmo se existe uma palavra recente mais apropriada - a não ser que o livro seja mesmo escrito com essa intenção, o que não era o caso) e um enredo demasiado "enrodilhado" fazem-me mal aos nervos. E eu não gosto quando os meus nervos são abusados - não desafiados, mas abusados.
Este livro segue a história de um judeu, o último justo, da antiguidade até aos nossos dias, sendo o grosso do livro passado durante a Segunda Guerra Mundial. É naturalmente um livro de um sobrevivente ao holocausto, e é também nitidamente um livro de propaganda. Não sou anti-semita, longe disso, mas tudo o que seja extremismo faz-me mal aos intestinos.
O autor é conceituado, e tem outros bons livros. Este não é um deles. O que faz aqui, Primo Levi fez muito melhor.
Em suma, não recomendo este livro a ninguém. Não acho que mereça umas horas da vossa vida. Se quiserem fazer o vosso julgamento, poderão adquiri-lo em qualquer loja online.
Ficha Técnica:
Título Original: Le Dernier Juste
Autor: André Schwarz-Bart
Título Português: O Último Justo
Tradução: António Ramos Rosa e Fernando Moreira Ferreira
Colecção: Grandes Clássicos do Século XX
Editora: Europa-América
Género: Romance
Preço: 22,21€
Nota: Os preços indicados são os praticados na Livraria Online Wook (wook.pt) e estão sujeitos a alteração sem aviso prévio.
As opiniões apresentadas representam apenas as do seu autor e de forma nenhuma as da Livraria Wook, com a qual não temos qualquer ligação.
O problema com autores com a mania que são eruditos é a demasiada (e falsa) erudição dos seus livros. Frases demasiado longas, palavras demasiado complicadas (para quê usar um arcaísmo se existe uma palavra recente mais apropriada - a não ser que o livro seja mesmo escrito com essa intenção, o que não era o caso) e um enredo demasiado "enrodilhado" fazem-me mal aos nervos. E eu não gosto quando os meus nervos são abusados - não desafiados, mas abusados.
Este livro segue a história de um judeu, o último justo, da antiguidade até aos nossos dias, sendo o grosso do livro passado durante a Segunda Guerra Mundial. É naturalmente um livro de um sobrevivente ao holocausto, e é também nitidamente um livro de propaganda. Não sou anti-semita, longe disso, mas tudo o que seja extremismo faz-me mal aos intestinos.
O autor é conceituado, e tem outros bons livros. Este não é um deles. O que faz aqui, Primo Levi fez muito melhor.
Em suma, não recomendo este livro a ninguém. Não acho que mereça umas horas da vossa vida. Se quiserem fazer o vosso julgamento, poderão adquiri-lo em qualquer loja online.
Ficha Técnica:
Título Original: Le Dernier Juste
Autor: André Schwarz-Bart
Título Português: O Último Justo
Tradução: António Ramos Rosa e Fernando Moreira Ferreira
Colecção: Grandes Clássicos do Século XX
Editora: Europa-América
Género: Romance
Preço: 22,21€
Nota: Os preços indicados são os praticados na Livraria Online Wook (wook.pt) e estão sujeitos a alteração sem aviso prévio.
As opiniões apresentadas representam apenas as do seu autor e de forma nenhuma as da Livraria Wook, com a qual não temos qualquer ligação.
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Parabéns
Hoje uma das minhas colegas de curso (estou desempregado, a fazer um daqueles cursos de especialização técnica do IEFP), arranjou trabalho.
Embora seja difícil ver-se ir embora uma das pessoas com que me identificava, é sempre melhor que uma pessoa qualificada e competente regresse ao sítio onde pertence: a força produtiva deste país.
Este post serve apenas para lhe dar os parabéns e dizer que espero que a sua nova vida profissional seja preenchida e que a preencha. Espero que seja a melhor aposta da vida dela. Espero que construa uma relação profissional com a empresa que dure muitos e bons anos - de preferência até à reforma - e que ela suba nos quadros da empresa até que consiga melhorar o panorama nacional.
Espero isto tudo e muito mais.
Não vou referir nomes, mas ela sabe quem é.
Foi um prazer conhecer-te, parabéns e boa sorte!
Embora seja difícil ver-se ir embora uma das pessoas com que me identificava, é sempre melhor que uma pessoa qualificada e competente regresse ao sítio onde pertence: a força produtiva deste país.
Este post serve apenas para lhe dar os parabéns e dizer que espero que a sua nova vida profissional seja preenchida e que a preencha. Espero que seja a melhor aposta da vida dela. Espero que construa uma relação profissional com a empresa que dure muitos e bons anos - de preferência até à reforma - e que ela suba nos quadros da empresa até que consiga melhorar o panorama nacional.
Espero isto tudo e muito mais.
Não vou referir nomes, mas ela sabe quem é.
Foi um prazer conhecer-te, parabéns e boa sorte!
domingo, 8 de setembro de 2013
Mas afinal o que raio é o Swag?
Nota: Segue-se um chorrilho de asneiras, porque isto me irrita violentamente
Alguém me explica? A sério que alguém se importa de me explicar o que raio é essa moda do swag? Mas estamos no meio de uma epidemia de estupidez e eu acordei agora? A criançada (e a juventude) anda por aí a dizer que só somos bons se tivermos swag. E que isso se mede com os bens materiais que se usam: bonés (ou caps, como eles lhe chamam) de determinadas marcas, botas e roupas específicas. Ora foda-se. Quando ganharem para vocês próprios, gastem dinheiro a vestir-se como palhacinhos. Até lá, não me lixem. Enquanto forem os papás a pagarem-vos a roupa, os estudos (que provavelmente estarão a desperdiçar) e a comida, deixem-se lá de merdas e esqueçam o swag. Já não vos posso ver à frente.
Chamem-me velho... mas se existe coisa que me irrita é a futilidade de putos que não ganham para eles próprios... E pais coniventes ainda me irritam mais. E para usarem neologismos, ao menos usem neologismos interessantes.
Alguém me explica? A sério que alguém se importa de me explicar o que raio é essa moda do swag? Mas estamos no meio de uma epidemia de estupidez e eu acordei agora? A criançada (e a juventude) anda por aí a dizer que só somos bons se tivermos swag. E que isso se mede com os bens materiais que se usam: bonés (ou caps, como eles lhe chamam) de determinadas marcas, botas e roupas específicas. Ora foda-se. Quando ganharem para vocês próprios, gastem dinheiro a vestir-se como palhacinhos. Até lá, não me lixem. Enquanto forem os papás a pagarem-vos a roupa, os estudos (que provavelmente estarão a desperdiçar) e a comida, deixem-se lá de merdas e esqueçam o swag. Já não vos posso ver à frente.
Chamem-me velho... mas se existe coisa que me irrita é a futilidade de putos que não ganham para eles próprios... E pais coniventes ainda me irritam mais. E para usarem neologismos, ao menos usem neologismos interessantes.
Se um Dia
Se um dia me deixar de procurar, morri. Saio todos os dias à rua com uma vontade imensa de me encontrar, mas perco-me sempre em recantos obscuros da minha alma, em curvas e contra-curvas dos meus problemas, em desejos impossíveis e em tentativas loucas de alcançar um plano mais elevado.
Se um dia me deixar de perder, deixei de existir. Só faço sentido como um poço de contradições, como uma metáfora enrodilhada num paradigma, como algo que existe sem sentido, apenas por existir.
Se um dia deixar de correr atrás de quem não me espera, enlouqueci. Não sou louco, só uma pessoa normal com ambições anormais, com um imenso desespero existencial. Preciso da imperfeição para singrar, preciso que me moldem, ao mesmo tempo que moldam os outros.
Se um dia deixar de ser quem sou, desliguem a ficha, apaguem a máquina, injectem-me com a solução fatal. Eu sou o que sou, seja isso bom ou mau, e não quereria ser de outra maneira. Já me tentei modificar por quem não precisa que me modifique, já tentei fugir para locais de conforto que não são os meus locais de conforto, e isso só me matou mais um pouco.
Se um dia deixar de amar loucamente, já não me valerá a pena amar. O amor não será nunca racional, e eu racional não quero ser. Quero perder-me, entregar-me, sofrer e rasgar todas as feridas que existem para ser rasgadas. Não quero barreiras. Não quero nada.
Se um dia deixar de escrever, já não serei eu. A escrita é um escape para os meus medos mais profundos, para o meu pânico entranhado, para os meus ódios e para a minha paixão. Mesmo sem saber escrever, escreverei sempre, pois escrever está-me no sangue.
Se um dia me esquecer de ser eu próprio, não serei mais ninguém. E desvanecerei como uma qualquer sombra que por cá andou.
Se um dia me deixar de perder, deixei de existir. Só faço sentido como um poço de contradições, como uma metáfora enrodilhada num paradigma, como algo que existe sem sentido, apenas por existir.
Se um dia deixar de correr atrás de quem não me espera, enlouqueci. Não sou louco, só uma pessoa normal com ambições anormais, com um imenso desespero existencial. Preciso da imperfeição para singrar, preciso que me moldem, ao mesmo tempo que moldam os outros.
Se um dia deixar de ser quem sou, desliguem a ficha, apaguem a máquina, injectem-me com a solução fatal. Eu sou o que sou, seja isso bom ou mau, e não quereria ser de outra maneira. Já me tentei modificar por quem não precisa que me modifique, já tentei fugir para locais de conforto que não são os meus locais de conforto, e isso só me matou mais um pouco.
Se um dia deixar de amar loucamente, já não me valerá a pena amar. O amor não será nunca racional, e eu racional não quero ser. Quero perder-me, entregar-me, sofrer e rasgar todas as feridas que existem para ser rasgadas. Não quero barreiras. Não quero nada.
Se um dia deixar de escrever, já não serei eu. A escrita é um escape para os meus medos mais profundos, para o meu pânico entranhado, para os meus ódios e para a minha paixão. Mesmo sem saber escrever, escreverei sempre, pois escrever está-me no sangue.
Se um dia me esquecer de ser eu próprio, não serei mais ninguém. E desvanecerei como uma qualquer sombra que por cá andou.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Actos Falhados
Num Supermercado:
"Vieste às compras???"
"Não, vim caçar elefantes."
O telemóvel toca durante a noite:
"Estavas a dormir?"
"Não, estava a fazer skydiving."
Chove torrencialmente e aprontamos-nos para sair:
"Vais sair com esta chuva?"
"Não, vou esperar um pouco e saio com a próxima!"
Estamos numa lavagem automática a lavar o carro:
"Estás a lavar o carro?"
"Não, estou a regá-lo para ver se se transforma num camião!"
E isto, meus amigos, são actos falhados segundo a minha amiga com nome de vegetal. Se se lembrarem de mais alguns, comentem!
"Vieste às compras???"
"Não, vim caçar elefantes."
O telemóvel toca durante a noite:
"Estavas a dormir?"
"Não, estava a fazer skydiving."
Chove torrencialmente e aprontamos-nos para sair:
"Vais sair com esta chuva?"
"Não, vou esperar um pouco e saio com a próxima!"
Estamos numa lavagem automática a lavar o carro:
"Estás a lavar o carro?"
"Não, estou a regá-lo para ver se se transforma num camião!"
E isto, meus amigos, são actos falhados segundo a minha amiga com nome de vegetal. Se se lembrarem de mais alguns, comentem!
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