Nem sei porque estou a escrever outra vez, nem compreendo porque senti hoje a necessidade de falar disto mas acho que foi porque me saiu um peso de cima (mesmo que de uma forma meio retardada) e isso fez-me pensar nos outros pesos que tenho e que preciso de colocar cá para fora, para tentar que a minha alma fique meio mais leve, para ver se os meus nervos deixam de parecer fogo de artificio e para exorcizar estes demónios que andam para aqui a fazer uma rave dentro do meu cérebro.
Quem me conhece bem - seja porque é meu amigo ou porque teve a infelicidade de ter que me aturar por circunstâncias da vida - sabe que sou uma pessoa estranha. Os meus humores mudam com muita facilidade, ofendo-me facilmente mas também amo facilmente - não necessariamente amor físico, mas farei tudo por quem gosto e penso que é isso que realmente define o amor - mas em suma, sou alguém bem difícil de aturar. O que me dizem a maior parte das pessoas é que preciso urgentemente de terapia, mas acho que me habituei tanto a ter estas coisas dentro de mim que não consigo visualizar a vida de outra forma. A única terapia que tive terminou comigo a ofender a terapeuta numa das minhas dezenas de mood swings e digamos que sou persona non grata para a maior parte dos psiquiatras, psicólogos e afins que a conheciam. Logo, terapia está fora de questão e única forma que tenho de me expressar é aqui ou chateando pessoas em que confio - coisa que prometi a mim mesmo que deixaria de fazer.
O meu problema é que sou obcecado e tenho uma personalidade que se dá à adição. Aliás, obsessão e adição são duas merdas muito semelhantes que acontecem a pessoas que estão habituadas a desespero, destruição e caos - quando tudo começa a correr não diria bem, mas pelo menos quando parece que existe um bocadinho de estabilidade na tua vida, tentas encontrar uma coisa qualquer que te foda os planos de novo - pode ser obsessão por uma pessoa, pode ser uma adição a uma porcaria química qualquer ou pode ser simplesmente encontrar problemas onde não existem nenhuns e remoeres neles até estares no mesmo círculo vicioso novamente.
Cometes os mesmos erros milhares de vezes e mesmo assim não aprendes. És tipo uma traça atraída para a luz. Sabes que aquilo te vai magoar, mas parece que não consegues resistir. Estás consciente que a culpa de estares como estás é apenas e só tua e quando alguém te estende a mão e te tenta ajudar, a tua primeira reação é fugires a sete pés. Parece que te sentes bem no meio da porcaria, gostas de ser a vítima (quando não és vítima alguma) e atiras-te para o poço de merda uma e outra vez e andas lá a chafurdar que nem um porco - um porco deprimido e triste, mas um porco. As pessoas começam a pensar que és um filho da puta e afastam-se e tu acordas para a vida, ficas bem durante uns meses ou uns anos - e depois lá vais tu de novo, saltitando todo contente para a piscina de estrume a que estás habituado. É algo de que podes fugir, basta um esforço (se é pequeno ou grande não interessa, mas é exequível) mas parece que não te queres dar ao trabalho.
Tudo o que escrevi acima é o que me impede de ser melhor pessoa ou deixar de ser uma besta. São merdas que me acontecem constantemente e que tenho feito um esforço consciente para suprimir. Mas elas ainda cá estão, a tentar subir à superfície e sair para me foderem a vida de novo. Como dizem, um agarrado será sempre um agarrado - e isso é válido para tudo... Quando tens uma adição a uma coisa qualquer, quando deixas apenas substituis por outra merda . Precisas de alguma coisa que te anestesie o cérebro e o corpo apenas para conseguir prosseguir e dar mais um passo e manter a aparência de uma vida normal. Até tens um sorriso na cara, mas por dentro está tudo a arder. Tentas mudar todos os dias - por ti e pelos outros - mas está lá dentro tudo pronto para explodir.
Enfim, já vai longo o desabafo e embora os pequenos demónios que andam aqui dentro não tenham saído todos, acho que consegui expulsar alguns. Os próximos capítulos da minha saga de idiotice o dirão. Desculpem-me a caldeirada de palavras e a falta de sentido de muito do que disse, mas precisava disto.
Postas de Pescada Fresquinhas, de um Gajo meio parvo ou a vida de um Idiota Romântico
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017
domingo, 18 de outubro de 2015
De porque me sinto Cansado ou porque Portugal é um reality show (parvo)
Portugal, estando eu longe, continua a cansar-me. As pessoas (não todas, naturalmente) cansam-me, a dança das cadeiras política cansa-me, a pessoa que se diz nosso presidente cansa-me, os líderes do centrão político cansam-me, o secretário-geral do Partido Comunista (o partido com que mais me identifico, embora não tenha partido) está cansado, tem ideias cansadas e lá está... cansa-me. O Bloco de Esquerda é um partido do não que assim que cheirou o poder começou a dizer sim (vamos lá ver se conseguem - lá chegando - continuar a ter aquela voz contestária que sempre tiveram) e o PP, bem, o PP devia ter mudado o nome para partido sanguessuga ou então pelo menos assumir de vez o fim da sua tendência democrata-cristã e juntar-se ao PSD de vez... pelo menos não enganava o eleitorado.
O povo Português é aquele tipo de povo que apenas se sabe queixar, queixar, queixar, manifestar (mas que não afecte as nossas idas ao shopping ou à praia) e depois, quando existe uma hipótese de mudar... votam nos mesmos. Votam no centrão (seja PS ou PSD) e admiram-se quando os dois partidos (que são quase iguais) se digladiam como comadres avariadas pelo poder. Por um lado compreendo: por muito que se apresentem "alternativas" não existe uma ideia de mudança no país: o PCP continua a ser um partido com tiques estalinistas e com uma liderança envelhecida e com ideias ultrapassadas (sim, meus caros, o comunismo - da forma que o conhecemos - não resulta, embora seja possível um novo paradigma do mesmo), o Bloco de Esquerda é um aglomerado de chorões (a Catarina Martins a dizer "quem manda sou eu" é remanscente das purgas do PCP nos anos 90), o PAN - com a meritória plataforma que tem - esqueceu-se dos outros pontos, o PEV é um partido que é um partido dentro de uma coligação tão dominada pelo maior partido que ninguém se lembra deles... Dos partidos não parlamentares, são simplesmente offshots de outros partidos com a mesma sede de poder ou xenófobos como o PNR...
Portugal poderia sobreviver de uma forma semelhante à da Suiça: tudo poderia ir a referendo, não interessa que partido esteja no poder - o povo é que decide. Mas claro que para isso, não poderia o povo Português gostar tanto de coçar os tomates e ficar em casa a vir a Quinta das Celebridades... Porque se um dos referendos fosse num dia de gala de um qualquer reality show, o povo pensaria "quero lá saber do referendo, quero saber quem vai sair da casa" e ninguém metia lá os cotos...
Pronto, depois deste rant, podem sair com bandeiras de Portugal a gritar que não querem a troika e os refugiados, mas só durante 2 horas, que depois começa a bola e os centros comerciais fecham...
O povo Português é aquele tipo de povo que apenas se sabe queixar, queixar, queixar, manifestar (mas que não afecte as nossas idas ao shopping ou à praia) e depois, quando existe uma hipótese de mudar... votam nos mesmos. Votam no centrão (seja PS ou PSD) e admiram-se quando os dois partidos (que são quase iguais) se digladiam como comadres avariadas pelo poder. Por um lado compreendo: por muito que se apresentem "alternativas" não existe uma ideia de mudança no país: o PCP continua a ser um partido com tiques estalinistas e com uma liderança envelhecida e com ideias ultrapassadas (sim, meus caros, o comunismo - da forma que o conhecemos - não resulta, embora seja possível um novo paradigma do mesmo), o Bloco de Esquerda é um aglomerado de chorões (a Catarina Martins a dizer "quem manda sou eu" é remanscente das purgas do PCP nos anos 90), o PAN - com a meritória plataforma que tem - esqueceu-se dos outros pontos, o PEV é um partido que é um partido dentro de uma coligação tão dominada pelo maior partido que ninguém se lembra deles... Dos partidos não parlamentares, são simplesmente offshots de outros partidos com a mesma sede de poder ou xenófobos como o PNR...
Portugal poderia sobreviver de uma forma semelhante à da Suiça: tudo poderia ir a referendo, não interessa que partido esteja no poder - o povo é que decide. Mas claro que para isso, não poderia o povo Português gostar tanto de coçar os tomates e ficar em casa a vir a Quinta das Celebridades... Porque se um dos referendos fosse num dia de gala de um qualquer reality show, o povo pensaria "quero lá saber do referendo, quero saber quem vai sair da casa" e ninguém metia lá os cotos...
Pronto, depois deste rant, podem sair com bandeiras de Portugal a gritar que não querem a troika e os refugiados, mas só durante 2 horas, que depois começa a bola e os centros comerciais fecham...
domingo, 9 de agosto de 2015
Da Esperança num Mundo Melhor ou Como as Pessoas Boas ainda Existem
Não tenho escrito muito, por razões várias. Primeiro, porque sou preguiçoso e a minha mente não está para pensar. Em segundo lugar, porque não tenho visto neste nosso pequeno mundo algo que me faça querer escrever. Estou farto de apenas ver tragédias, mortes, problemas, desespero e coisas semelhantes.
Hoje, apeteceu-me escrever. Vi algo que me fez ter esperança num mundo melhor, sem guerra e sem desespero, sem ódio e sem malícia. Vi este artigo de um jornal português, em que uma polícia israelita foi protegida por palestinianos e pensei: "Bolas, parece que ainda existe gente que se preocupa mais com seres humanos do que com política!" e fiquei feliz. Muito feliz. Porque, por mais pequena que seja, é uma prova que o mundo ainda tem esperança e pessoas boas.
E pronto, era isto. Tenham uma boa noite.
sábado, 25 de julho de 2015
Viver com Epilepsia ou a Tentativa de Uma Vida Normal
Não tenho por hábito falar disto, uma vez que se trata da minha vida pessoal e não gosto de incomodar as pessoas com relatos do que é viver com uma doença crónica - todos nós temos problemas, de um tipo ou de outro, e ninguém tem que me aturar os desabafos.
Mas também não escondo de ninguém (amigos, colegas, chefes) que sou epiléptico e que a qualquer momento me pode dar uma traquitana e começar a estrebuchar no chão e a babar-me como um rottweiler com raiva. Não me parece que seja epiléptico seja nenhum motivo de vergonha, mas são exactamente algumas atitudes que já experienciei que me levam a escrever hoje.
A epilepsia não é uma doença fácil de controlar. Exige moderação em tudo - moderação essa que não é fácil de praticar para mim - e medicação constante, medicação essa que impede ataques mais graves, mas que também nos torna um pouco em zombies e que leva a alterações de humor constantes, o que, admitamos, não é nada agradavél para quem vive connosco e tem que nos aturar.
Supostamente, com epilepsia, não podemos trabalhar com computadores (a minha profissão), não podemos beber café (o meu maior vício) nem podemos beber álcool (embora não seja alcóolico, também não sou abstémio de todo). Não posso estar em locais com muitas luzes (discotecas incluídas, embora isso nada me incomode) nem posso viver sozinho por muito tempo, uma vez que um ataque epiléptico sem ter ninguém que me ajude me pode levar desta para melhor (o que para uma pessoa um pouco anti-social como eu não é fácil).
Existem pessoas que comentam que eu sou distraído, que referem a minha abstração de formas menos agradáveis (usualmente pelas costas, mas tudo se sabe, meus amigos) e que se esquecem que viver com algo que nos pode transformar num vegetal dependente de outros (pelo menos durante algumas horas ou dias) a qualquer momento não é nada fácil.
Fazer EEG's todos os semestres, perder tempo em hospitais e farmácias a tentar encontrar a dose certa do medicamento (o tal que nos transforma em zombies) também não é a melhor forma de passar os dias. Não poder conduzir, não poder ir para locais mais exóticos onde o dito medicamento não exista, não poder estar em locais com muito barulho, ser muitas vezes rude com pessoas apenas porque nos dói imenso a cabeça também não ajuda a ter uma vida social decente. Além disso, a vida amorosa sofre bastante - quem raio quer passar o resto da vida com uma pessoa que pode virar uma beterraba de um momento para o outro (para além de poder morder e partir metade dos móveis na casa e alguns dentes quando tem um ataque)?
A coisa engraçada da epilepsia é que, sendo uma doença que afecta milhões de pessoas, tem uma terrível falta de informação sobre ela. Sempre que digo que sou epiléptico, a primeira questão (depois do eventual "coitadinho" e de me perguntarem se me vai dar um ataque e porque estou a beber café) é "se te der uma coisa, o que é que eu faço???". Ninguém - a não ser que tenha um epiléptico na família - sabe o que fazer na eventualidade de um ataque e parecem ficar muito assustados por fazermos uma vida normal (ou tentarmos).
Sendo uma doença crónica, outra coisa que me dói é termos que pagar por medicamentos. Senhores, eu não posso viver sem o ácido valpróico - ou transformo-me numa batata. Não tenho tempo para ir a um neurologista sempre que preciso de medicamentos - digamos que os hospitais públicos não os têm em abundância e os neurologistas privados são um "pouco" caros (para não pensarem que estou a exagerar, estive uma vez num hospital público 12 horas a aguardar consulta, já que as consultas de neurologia levam tempo, e quando fui a um neurologista privado, tive 4 minutos de consulta - o diagnóstico dele depois de olhar para o EEG foi "você tem epilepsia", como se eu não soubesse já e paguei 80 Euros) e se for com uma receita de um médico de família, tenho que pagar.
Peço desculpa pelo rant, mas quando alguém me chama retardado por ter epilepsia, tendem a acontecer estas coisas.
Mas também não escondo de ninguém (amigos, colegas, chefes) que sou epiléptico e que a qualquer momento me pode dar uma traquitana e começar a estrebuchar no chão e a babar-me como um rottweiler com raiva. Não me parece que seja epiléptico seja nenhum motivo de vergonha, mas são exactamente algumas atitudes que já experienciei que me levam a escrever hoje.
A epilepsia não é uma doença fácil de controlar. Exige moderação em tudo - moderação essa que não é fácil de praticar para mim - e medicação constante, medicação essa que impede ataques mais graves, mas que também nos torna um pouco em zombies e que leva a alterações de humor constantes, o que, admitamos, não é nada agradavél para quem vive connosco e tem que nos aturar.
Supostamente, com epilepsia, não podemos trabalhar com computadores (a minha profissão), não podemos beber café (o meu maior vício) nem podemos beber álcool (embora não seja alcóolico, também não sou abstémio de todo). Não posso estar em locais com muitas luzes (discotecas incluídas, embora isso nada me incomode) nem posso viver sozinho por muito tempo, uma vez que um ataque epiléptico sem ter ninguém que me ajude me pode levar desta para melhor (o que para uma pessoa um pouco anti-social como eu não é fácil).
Existem pessoas que comentam que eu sou distraído, que referem a minha abstração de formas menos agradáveis (usualmente pelas costas, mas tudo se sabe, meus amigos) e que se esquecem que viver com algo que nos pode transformar num vegetal dependente de outros (pelo menos durante algumas horas ou dias) a qualquer momento não é nada fácil.
Fazer EEG's todos os semestres, perder tempo em hospitais e farmácias a tentar encontrar a dose certa do medicamento (o tal que nos transforma em zombies) também não é a melhor forma de passar os dias. Não poder conduzir, não poder ir para locais mais exóticos onde o dito medicamento não exista, não poder estar em locais com muito barulho, ser muitas vezes rude com pessoas apenas porque nos dói imenso a cabeça também não ajuda a ter uma vida social decente. Além disso, a vida amorosa sofre bastante - quem raio quer passar o resto da vida com uma pessoa que pode virar uma beterraba de um momento para o outro (para além de poder morder e partir metade dos móveis na casa e alguns dentes quando tem um ataque)?
A coisa engraçada da epilepsia é que, sendo uma doença que afecta milhões de pessoas, tem uma terrível falta de informação sobre ela. Sempre que digo que sou epiléptico, a primeira questão (depois do eventual "coitadinho" e de me perguntarem se me vai dar um ataque e porque estou a beber café) é "se te der uma coisa, o que é que eu faço???". Ninguém - a não ser que tenha um epiléptico na família - sabe o que fazer na eventualidade de um ataque e parecem ficar muito assustados por fazermos uma vida normal (ou tentarmos).
Sendo uma doença crónica, outra coisa que me dói é termos que pagar por medicamentos. Senhores, eu não posso viver sem o ácido valpróico - ou transformo-me numa batata. Não tenho tempo para ir a um neurologista sempre que preciso de medicamentos - digamos que os hospitais públicos não os têm em abundância e os neurologistas privados são um "pouco" caros (para não pensarem que estou a exagerar, estive uma vez num hospital público 12 horas a aguardar consulta, já que as consultas de neurologia levam tempo, e quando fui a um neurologista privado, tive 4 minutos de consulta - o diagnóstico dele depois de olhar para o EEG foi "você tem epilepsia", como se eu não soubesse já e paguei 80 Euros) e se for com uma receita de um médico de família, tenho que pagar.
Peço desculpa pelo rant, mas quando alguém me chama retardado por ter epilepsia, tendem a acontecer estas coisas.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Democracia Europeia ou a União dos Poderosos
Ainda só posso levantar 60€ por dia. Que na verdade são 50€, pois os ATM's nunca têm notas de 20. Não existem transferências para o estrangeiro - a não ser para pagar despesas médicas ou de educação - e só posso comprar online se a empresa que vende tiver conta num banco grego.
Tudo aumentou. Não muito, mas nota-se. 10 cêntimos no café - já de si caro - e 40 cêntimos no souvlaki - a nossa fast-food. Muitas bombas de gasolina não aceitam cartões, mas pelo menos os bancos reabriram - mas não se podem abrir contas novas. Nem levantar dinheiro. Nem transferir dinheiro de uma conta para outra (mesmo que seja grega).
Parece que as pessoas estão a tentar viver normalmente, mas existe um peso que se sente no ar. Passou a esperança - veio a incerteza. Possivelmente poderia ter sido diferente. Se os governos do Sul, em vez de terem tido medo de perderem as eleições - tivessem pensado no povo que sofre.
A austeridade não funciona. Nada resolve. Está mais que provado - vezes sem conta economistas o disseram. O que fazemos quando um medicamento não funciona? Segundo a União Europeia, continuamos a tomá-lo, na vã esperança que funcione, até que morramos todos de uma overdose de um medicamento que não é de todo apropriado para a maleita.
A União Europeia foi criada como um baluarte de Democracia. Mas é uma democracia que funciona se todos fizerem o que os países mais poderosos querem. Se alguém tentar sair da linha aprovada, iremos esmagar e humilhar esse país o mais possível.
Este é um texto desiludido. Infelizmente. Mas já não acredito nesta Europa.
Tudo aumentou. Não muito, mas nota-se. 10 cêntimos no café - já de si caro - e 40 cêntimos no souvlaki - a nossa fast-food. Muitas bombas de gasolina não aceitam cartões, mas pelo menos os bancos reabriram - mas não se podem abrir contas novas. Nem levantar dinheiro. Nem transferir dinheiro de uma conta para outra (mesmo que seja grega).
Parece que as pessoas estão a tentar viver normalmente, mas existe um peso que se sente no ar. Passou a esperança - veio a incerteza. Possivelmente poderia ter sido diferente. Se os governos do Sul, em vez de terem tido medo de perderem as eleições - tivessem pensado no povo que sofre.
A austeridade não funciona. Nada resolve. Está mais que provado - vezes sem conta economistas o disseram. O que fazemos quando um medicamento não funciona? Segundo a União Europeia, continuamos a tomá-lo, na vã esperança que funcione, até que morramos todos de uma overdose de um medicamento que não é de todo apropriado para a maleita.
A União Europeia foi criada como um baluarte de Democracia. Mas é uma democracia que funciona se todos fizerem o que os países mais poderosos querem. Se alguém tentar sair da linha aprovada, iremos esmagar e humilhar esse país o mais possível.
Este é um texto desiludido. Infelizmente. Mas já não acredito nesta Europa.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
A Perdição
Esta imagem, acima, é a melhor coisa que os Gregos inventaram. Sim, é fast food, mas é tão melhor do que qualquer hamburger. Quem está na Grécia sabe o que é. Quem não está... Lamentamos.
"Ai Jesus" ou a Novela do Verão
Duas postas de pescada sobre Futebol seguidas? O que está errado comigo? Nada, sou o típico gajo que gosta de Futebol embora que diga que não, não estou acima de perder 90 minutos da minha vida a ver gente a correr atrás de uma bola.
Como disse no meu post anterior, sou Benfiquista assumido, sem apelo nem agravo. Logo, quando me disseram que o Jorge Jesus ia para os nossos queridos inimigos (nada tenho contra o Sporting, muito pelo contrário, como todos os Sportinguistas que me conhecem sabem), fiquei, digamos, em choque. A expressão mais correcta seria "aparvalhado", mas não tenho a certeza que exista.
Ao contrário de muitos benfiquistas, fui dos que sempre gostaram do Jesus (do Jesus, não de Jesus, que não sou cristão). O homem pode ter muito defeito (um ego um bocado grande, uma mania que é um bocado melhor que toda a gente), mas o certo é que é genuíno e não esconde quem é. Pode não saber falar português, ter uma tendência grandita para gaffes e pontapés na gramática, mas percebe daquilo que faz, e não é por ir para um clube diferente que deixa de perceber.
Como alguém disse, o risco é maior para Jesus do que para o Benfica. Sem querer menosprezar o Sporting Clube de Portugal, o que é certo é que está em processo de restruturação (e bem feita, por muito que não seja um fã do Bruno de Carvalho) e que só este ano conseguiu ganhar alguma coisa. Jesus sai de um clube que conhece bem, onde foi três vezes campeão, chegou duas vezes a finais europeias e onde ganhou alguns títulos menores, para ir para um clube onde irá começar, não digo do zero, mas com bem menos matéria-prima para vencer. Por outro lado, estando o Sporting no dito processo de renascimento, a pressão de ganhar será bem menor. Os adeptos Sportinguistas são mais pacientes do que os do Benfica ou os do Futebol Clube do Porto, e estão como estava o Benfica quando Camacho veio - ficariam satisfeitos com um treinador que ganhe uns títulos, mas não exigem o campeonato (pelo menos no primeiro ano).
Passemos agora à minha opinião pessoal sobre as razões que levaram Jesus a mudar:
1) Jorge Jesus já ganhou tudo o que podia ganhar no Benfica. A ambição dele seria ganhar uma taça europeia, mas depois de duas finais perdidas, compreendeu que não seria fácil, para não dizer impossível.
2) Jorge Jesus nunca escondeu o seu Sportinguismo (o pai foi jogador do mesmo plantel dos cinco violinos). Tendo 60 anos, seria a última oportunidade de treinar o clube do coração. Vendo que não conseguiria ganhar mais no Benfica (nem financeiramente nem desportivamente), e não querendo ir para o estrangeiro (não me parece que seja homem de embarcar em grandes aventuras, muito menos com a idade que tem), e não havendo nenhum clube Português que lhe pudesse pagar mais do que recebia no Benfica, optou (sendo profissional), a segunda melhor hipótese: ganhar menos - pelo menos segundo o que nos dizem - treinando o clube do coração e tendo controle completo sobre o plantel.
3) Diz-se que Jesus só ganha porque está num clube com muito dinheiro (ou pelo menos, muito dinheiro virtual, que o passivo não é brincadeira). Jesus gostava de ter jogadores de topo, que lhe pudessem garantir a Europa. Vieira quer reduzir custos e apostar na formação. Formação por formação e menos dinheiro por menos dinheiro (seja para jogadores seja para o ordenado), mais vale aproveitar o crepúsculo da carreira para ir para o clube de sonho dele. Como bónus (que eu como Benfiquista, espero que não aconteça), se ganhar alguma coisa, estará provada a sua qualidade como treinador (da qual não duvido, mas existe muita gente que duvida, e que tem todo o direito em duvidar).
4) O Sporting, mais uma vez sem menosprezar o clube, é um clube que não coloca, neste momento, tanta pressão nos treinadores. Os adeptos podem esperar mais tempo, não são tão impacientes, e (embora ambicionem, como todas as grandes equipas, serem campeões), não se importarão (pelo menos durante o princípio da carreira de Jesus) de ficar em segundo lugar e talvez de ganhar uma taça e fazer uma figura razoável nas competições Europeias. Jesus terá um estado de graça, sendo visto como salvador, durante alguns meses - a não ser que as coisas corram muito mal. Algo que secretamente, todos os Benfiquistas desejam, claro.
Bem, aqui está a minha opinião sobre a melhor novela futebolística dos últimos anos (porque a detenção de dirigentes da FIFA não tem piada nenhuma, é apenas trágica para o desporto rei), e espero sinceramente que ninguém se sinta ofendido!
PS: Se posso pedir coisas ao Pai Natal, e já que estamos em altura de surpresas, gostaria que o Jurgen Klopp viesse para o Benfica (eu sei, eu sei, mas não custa sonhar). Se não for possível, podemos roubar o Marco Silva? Não sou grande fã do Rui Vitória. Senhor Luís Filipe Vieira, tire lá um coelho da cartola. Muito Obrigado!
Como disse no meu post anterior, sou Benfiquista assumido, sem apelo nem agravo. Logo, quando me disseram que o Jorge Jesus ia para os nossos queridos inimigos (nada tenho contra o Sporting, muito pelo contrário, como todos os Sportinguistas que me conhecem sabem), fiquei, digamos, em choque. A expressão mais correcta seria "aparvalhado", mas não tenho a certeza que exista.
Ao contrário de muitos benfiquistas, fui dos que sempre gostaram do Jesus (do Jesus, não de Jesus, que não sou cristão). O homem pode ter muito defeito (um ego um bocado grande, uma mania que é um bocado melhor que toda a gente), mas o certo é que é genuíno e não esconde quem é. Pode não saber falar português, ter uma tendência grandita para gaffes e pontapés na gramática, mas percebe daquilo que faz, e não é por ir para um clube diferente que deixa de perceber.
Como alguém disse, o risco é maior para Jesus do que para o Benfica. Sem querer menosprezar o Sporting Clube de Portugal, o que é certo é que está em processo de restruturação (e bem feita, por muito que não seja um fã do Bruno de Carvalho) e que só este ano conseguiu ganhar alguma coisa. Jesus sai de um clube que conhece bem, onde foi três vezes campeão, chegou duas vezes a finais europeias e onde ganhou alguns títulos menores, para ir para um clube onde irá começar, não digo do zero, mas com bem menos matéria-prima para vencer. Por outro lado, estando o Sporting no dito processo de renascimento, a pressão de ganhar será bem menor. Os adeptos Sportinguistas são mais pacientes do que os do Benfica ou os do Futebol Clube do Porto, e estão como estava o Benfica quando Camacho veio - ficariam satisfeitos com um treinador que ganhe uns títulos, mas não exigem o campeonato (pelo menos no primeiro ano).
Passemos agora à minha opinião pessoal sobre as razões que levaram Jesus a mudar:
1) Jorge Jesus já ganhou tudo o que podia ganhar no Benfica. A ambição dele seria ganhar uma taça europeia, mas depois de duas finais perdidas, compreendeu que não seria fácil, para não dizer impossível.
2) Jorge Jesus nunca escondeu o seu Sportinguismo (o pai foi jogador do mesmo plantel dos cinco violinos). Tendo 60 anos, seria a última oportunidade de treinar o clube do coração. Vendo que não conseguiria ganhar mais no Benfica (nem financeiramente nem desportivamente), e não querendo ir para o estrangeiro (não me parece que seja homem de embarcar em grandes aventuras, muito menos com a idade que tem), e não havendo nenhum clube Português que lhe pudesse pagar mais do que recebia no Benfica, optou (sendo profissional), a segunda melhor hipótese: ganhar menos - pelo menos segundo o que nos dizem - treinando o clube do coração e tendo controle completo sobre o plantel.
3) Diz-se que Jesus só ganha porque está num clube com muito dinheiro (ou pelo menos, muito dinheiro virtual, que o passivo não é brincadeira). Jesus gostava de ter jogadores de topo, que lhe pudessem garantir a Europa. Vieira quer reduzir custos e apostar na formação. Formação por formação e menos dinheiro por menos dinheiro (seja para jogadores seja para o ordenado), mais vale aproveitar o crepúsculo da carreira para ir para o clube de sonho dele. Como bónus (que eu como Benfiquista, espero que não aconteça), se ganhar alguma coisa, estará provada a sua qualidade como treinador (da qual não duvido, mas existe muita gente que duvida, e que tem todo o direito em duvidar).
4) O Sporting, mais uma vez sem menosprezar o clube, é um clube que não coloca, neste momento, tanta pressão nos treinadores. Os adeptos podem esperar mais tempo, não são tão impacientes, e (embora ambicionem, como todas as grandes equipas, serem campeões), não se importarão (pelo menos durante o princípio da carreira de Jesus) de ficar em segundo lugar e talvez de ganhar uma taça e fazer uma figura razoável nas competições Europeias. Jesus terá um estado de graça, sendo visto como salvador, durante alguns meses - a não ser que as coisas corram muito mal. Algo que secretamente, todos os Benfiquistas desejam, claro.
Bem, aqui está a minha opinião sobre a melhor novela futebolística dos últimos anos (porque a detenção de dirigentes da FIFA não tem piada nenhuma, é apenas trágica para o desporto rei), e espero sinceramente que ninguém se sinta ofendido!
PS: Se posso pedir coisas ao Pai Natal, e já que estamos em altura de surpresas, gostaria que o Jurgen Klopp viesse para o Benfica (eu sei, eu sei, mas não custa sonhar). Se não for possível, podemos roubar o Marco Silva? Não sou grande fã do Rui Vitória. Senhor Luís Filipe Vieira, tire lá um coelho da cartola. Muito Obrigado!
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