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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Pandemias e Anémonas

 O mundo está de pernas para o ar, e as pessoas continuam a pensar que está tudo bem. 

Consumismo está em níveis históricos, elegemos bestas para nos governar e somos terríveis uns para os outros. 

Estamos no meio de um evento de magnitude global que nunca pensámos ver na nossa vida. E o que fazemos? Damos milhões ou biliões a milionários que passam este período resguardados nas suas mansões, em vez de abraçarmos (ou pelo menos abraçar virtualmente) quem amamos e viver mais. 


Trabalhamos da mesma forma, embora em locais diferentes, 

para gastar o dinheiro nas empresas dos nossos senhores feudais. Gastamos dinheiro NAS MESMAS EMPRESAS que nos escravizam, em vez de nos revoltarmos contra elas. 


E quando queremos descarregar as nossas frustrações? Descarregamos em assalariados como nós e não naqueles que estão nas sombras. 


Primeiro queriamos uma vacina. A vacina chega. Agora chegou cedo de mais. Queixamos-nos da falta de médicos, da falta de enfermeiros. 


Mas em vez de doarmos o nosso dinheiro a causas, gastamos em prendas para pessoas que talvez nem gostamos, para parecer bem. 

Em geral, o que esta pandemia me ensinou é que a mentalidade de rebanho não muda mesmo num evento que ameaça toda a humanidade. 


Que a pobreza de espírito não muda. Que o ódio não desaparece. O vírus não ataca neurónios porque -aparentemente – 99% de nós não os temos. 


Somos uma anémona que mexe. Melancias com ansiedade. Seres multi-celulares que atacam outros seres multi-celulares pelas coisas mais idiotas.  


Enfim, o mundo está de pernas para o ar. Mas nada mudou.